...porque pensar é um presente da vida...pensamos o que desejamos...o que temos...
03 março 2009
Vem...
Deixa-me mexer no teu cabelo, afagar a tua alma na minha, chega mais perto, fica calado...
Prende-me no teu espaço, dá-me lugar na tua peça...
Faz correr o pano...e deita-te junto de mim...
Vem descobrir o meu eu, sou tua aqui e agora, do amanhã nada sei...
Faz-me rodar sobre ti próprio, redescobrir sensações perdidas por aí...
Deixa-me tocar o teu corpo, percorrer cada pedacinho teu, beijos molhados além e ali, trinquinhas marotas por aí...
Sentir-te crescer na minha boca, e num envergonhado gemido, louco tumulto de emoções,sentir-te meu, sentires-me tua, mesmo por um momento, porque de amanhã nada sei...e se o adeus vier roubar o lugar ao até já lembra-te do meu cheiro, do meu sorriso, do sabor da minha pele, do calor do meu beijo, do liso do meu cabelo, das pétalas de rosa espalhadas por aí, e sorri, simplesmente sorri com carinho porque aconteceu...
02 março 2009
Album de Fotografias

Um dia, ainda eu era só menina, cabelo liso, batendo na cintura enquanto caminhava de mão dada com meu pai, picando-me nas silvas na esperança de saborear mais uma amora silvestre, sainha às pregas, xadrez, acho que até teria sido da minha prima Tânia, camisa branca de gola, meinha de renda pelo joelho, sapato gasto nem sei de quem...perguntei para espanto desse meu grande amigo, papá, porque é que nos albuns de fotografias as pessoas estão sempre a rir, como no nosso,mas nós passamos tanto tempo a chorar...e essas lágrimas não têm lugar ali...Calado, sorrindo para mim, sentou-se numa pedra, enquanto eu me distraía com mais uma preta, doce, quente amora, e respondeu-me com doçura, sabes filhota, nos albuns de fotografias, muitas vezes não existe lugar para os momentos menos bons, mas pensa sempre que são esses momentos que nos levam de uma fotografia à outra, e quando te sentires mal, lembra-te que os problemas na nossa vida são muitas vezes itens que nós próprios criamos , mas que existem porque temos a capacidade de os resolver...quase sempre...
Eu sorri, e continuà-mos o caminho até ao terreiro, saltitando ao sabor do vento quente comendo uma aqui, outra li... ainda hoje gosto de amoras...
01 março 2009
Há Dias Assim
dizem que de mau humor não há quem me ature,
sou mal acabada,
fera ferida,bicho do mato,
sou demónio à solta dentro de mim
serpente enervada
tempestade...
Palma da Mão

...Sorriso envergonhado, corpo feito de varas verdes...
...mãos suaves entrelaçadas no cabelo, descobrindo ansiosas cada pedacinho coberto de tudo e de nada...lábio mordido, cheiro meigo,poema escondido...
...calor na palma da mão...toque, sentido, música, pintura carnal em forma de pauta...em que cada traço se apressa como nota musical...
...simplesmente isso, carne e calor na palma da mão...leve beijo triste na hora de dizer adeus... o caminho curto transforma-se num desvio interminavél...de sentimentos perdidos e trocados, em que a loucura se apodera de tudo o que é sã, e num só gesto, bem na palma da mão, eleva-se aos céus e grita que és seu...
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