Escrever-me seria complicado para mim, seria então simples vela de barco em direcção à luz...vela acesa, cheiro de rosa branca pelos cantos do meu refugio,...marca e desmarca na minha alma o tempo que já não terei para gritar aos deuses que já não sou quem era...que já não quero o que quis...que serei envelope colorido e não selo de carta...serei album e não fotografia...de mimada tive tão pouco...menina fui por breve tempo esquecido...queria escrever no vento que ainda sou assim...menina-mulher de sorriso maroto...mas seria mentira e as palavras seriam queimadas...uma a uma...porque o vento perpetua a verdade das coisas... o fogo distingue a cor e a força dos sinais...a terra leva consigo e reserva para nós todos um cantinho especial onde podemos dizer...esta rosa é minha...ainda que não seja de ninguém...assim sou eu...rosa com forma simples...de gestos seguros, atitudes pensadas...sentimentos reflectidos...vontades...desejos...assim sou eu...




