30 julho 2009

Conta-me...

Quantas são as malhas da tua rede...conta-me quantos são os cheiros da tua pele...de quantas faces te despedes...em que lençois deixas à deriva um pouco de ti...conta-me uma história com um final feliz...

27 julho 2009

Um Dia...

Um dia desenhei-te no meu pensamento...deitei-te no meu peito pertinho do meu coração...perfumei de vida cada pedacinho teu...percorri todo o teu corpo com o beijo da minha alma...encontrei-me ali, nua junto de ti...quente e fria...as lágrimas não se envergonharam e percorreram o meu rosto, serviram de véu ao dia e cantaram em coro o hino à tua chegada...és amor...és sorriso...és fada...sou eu teu pano de fundo...nesta vida simples e encantada...amo-te tanto...amo-te muito...amo-te assim mesmo...traquina, delicada...amo-te muito mais do que isto...tudo o que te amo nunca será demais....a ti, para ti : o mundo...todo o meu mundo...minha filha...

23 julho 2009

Sem Mais Duvidas

Os saltos altos têm tudo a ver com os elefantes cor de rosa...
...e o vinho que do teu corpo escorre, é parte da minha sede...o meu olhar cansado, perpetuado por memória, o meu grito de vem...o meu afago jamais será igual ao de outro alguém, se por ventura os perfumes se misturam...as mãos se cruzam...foi acaso e não destino...foi toque não sentido...foi rua impedida pelos ardinas que já não vendem seus jornais pela manhã, foi portão centenário que se abriu em silêncio...foi peixeira descalça, sentada de canastra aos seus pés de saia rodada, avental axadrezado...fado , pouco escrito e jamais cantado...foi guitarra portuguesa, calada...sou eu assim...vela queimada...pedra de calçada...sereia encantada...corda roubada...mais do que isso...isso tudo e muito mais...sou o que imaginas...melhor e pior...sou o que quiseres..., sonho...tentação...o teu pior pesadelo...a cabeça é tua...o amor, esse é só meu...

20 julho 2009

Tatuando O Sentido da Teia

...Quando nos sentimos vagos, o olhar penetrante de uma simples aranha pode fazer de si mesma a nossa melhor companhia...embrenhada na sua teia, cheia de tempo e dedicação a si mesma...tentamos entender até a nossa própria existência...e deixamos que os porquê nos façam refém a alma...tentamos olhar pela janela e até a Lua parece de costas para nós...o percorrer do caminho parece feito de espinhos, sublimemente enfeitado com pedaços de vidro de coisa nenhuma, que se partiu e arrastada pelo vento, se espalhou por aqui e por ali...tatuando de restos de alguém o nosso corpo, sinais de incapacidade de dar a mão para o passo seguinte...paramos e reparamos então no detalhe do corpo, no pequeno milhar de pêlos que a cobre e a protege, no medo que nos inspira, mas que tudo o que quer é seguir até ao canto seguinte, livre de medos, devagar, porque na verdade tudo o que nos aterroziza apenas a protege no percurso pela sua sobrevivência...observo com atenção o seu olhar na minha direcção...tento perceber o esboçar do seu sorriso, o brilho perante a luz...o seu sentimento, que me invade e me faz presa...na sua teia...

17 julho 2009

Pequeno Canavial

Perder-me-ia por mim e por ti em qualquer pedaço de chão limpo ou sujo de lama...entranhada nas brumas da nossa floresta encantada, onde os lirios e os beija-flor se encontram num só umbigo...o calor incessante que o meu corpo jamais consegue controlar...entregar-me-ia ao sonho, afagando os galhos que me ferem e me marcam...quando sem destino...de mão dada com o vento...corro pelo pequeno canavial...onde a luz do Sol se perde por entre os gritos dos bichos que ninguém vê...onde as sombras se misturam com os queimados vivos do tempo...e se entrelaçam entre si mesmo...nus...despidos de sentimentos...entregues à sua solidão...cobre-me com o vermelho do teu desejo, o laranja do teu calor, o verde da vontade de um beijo...sob o testemunho do cor de rosa do céu e do azul da terra que nos separa...entrega ao doce da Lua o teu corpo...mergulha em mim...neste pequeno canavial...