10 julho 2009

Cabelos Brancos



...E nos teus cabelos brancos, encontro tantas das palavras douradas e esquecidas...perdidas algures no meu pensamento...na água que te percorre com calor o rosto...tento não tocar aqui ou ali...com medo de perder o que não tenho...no vidro que se entranha e me rasga por dentro...sentido-se de fora o espinho da calma e da razão...tento por todos os meios passar ao lado do sentimento...de mão dada com a vida e a incerteza...quando a única palavra que se me grita, uma e tantas vezes...entre o minuto e a hora seguinte...é saudade...saudade da saia rodada de bolsinho cozido a fio de navalha...onde o Sol e a Chuva me embalavam...na esperança de te ter de novo aqui...saudades das palavras de outrora...guardadas...não esquecidas ou fingidas pelo sorriso ou lágrima de agora...perpétuando cristalinas formas de estar por aqui...por ali...por aí...no teu colo...no teu peito, segura pelo teu abraço...suspensa no teu beijo...como serpente que te acalma...no meu corpo de mulher...

08 julho 2009

Sente-me...

Pára... Observa-me...




Ouve-me...por dentro...








...Toca-me... ...sente-me...
e se por um momento não souberes mais de mim do que de ti...lembra-te simplesmente de que estive sempre aqui...à tua espera...sem asas...porque não sou anjo...sem chamas porque não sou diabo...sou meramente desejo ardente...sonho inconsequente...pronta...nua...quente e fria...sou eu assim....mulher...

06 julho 2009

Pingos De Cristal

Não são lágrimas que me cobrem o corpo, deslizando pela minha face como meninas reguilas, tentando ultrapassar-se a si próprias, escondendo-me do mundo e dos cheiros que te trazem até mim...são pingos de cristal libertados por minha alma no momento em que percebo e te vejo frio. lá longe, tão lá longe de ti e dos baloiços que outrora pintámos com cor de laranja...gritando e afastando de nós as nuvens que rindo garciosamente...troçavam de nós, e conseguiam do laranja fazer amarelo...um amarelo cada vez mais claro...como se uma ou outra alma não tivessem lugar perto de ti e de mim...e do mundo que se calou para nos ver passar...baloiçando, entre uma e outra pétala...saltitando de nenufar em nenufar...tentando não cair nas graças do mal e da vaidade...sigo eu assim luxuosamente vestida pela minha alma...erguida pelo sabor do vento...movida pelo doce do teu beijo...

03 julho 2009

Está Bem Assim...


Sim...só assim...vivo dentro de mim...no canto do meu olho...em cheio no meu coração...a alma levaste-a há muito...o meu perfume no teu corpo...o meu sorriso na tua memória...está bem assim...só assim...a minha cintura nas tuas mãos...o encaixe perfeito ao adormecer...o sussurrar durante a noite...o aproximar da Lua, como menina traquina, de tranças feitas de carinho...sentada, escondida pela janela da vida...pelas chamas de velas tingidas...sinto-te despertar e partir...está bem assim...

só assim...

01 julho 2009

Príncipe Poeta- Alexandre Lemos-APAE

'Por que eu vivo procurando um motivo de viver, Se a vida às vezes parece de mim esquecer? Procuro em todas, mas todas não são você. Eu quero apenas viver, se não for para mim, que seja pra você. Mas às vezes você parece me ignorar, Sem nem ao menos me olhar, Me machucando pra valer. Atrás dos meus sonhos eu vou correr... Eu vou me achar, pra mais tarde em você me perder. Se a vida dá presente pra cada um, o meu, cadê? Será que esse mundo tem jeito? Esse mundo cheio de preconceito. Quando estou só, preso na minha solidão, Juntando pedaços de mim que caíam ao chão, Juro que às vezes nem ao menos sei, quem sou. Talvez eu seja um tolo, q ue acredita num sonho. Na procura de te esquecer, eu fiz brotar a flor. Para carregar junto ao peito, E crer que esse mundo ainda tem jeito. E como príncipe sonhador... Sou um tolo que acredita, ainda, no amor.'



«PRÍNCIPE POETA (Alexandre Lemos - APAE) Este poema foi escrito por um aluno da APAE, chamado, pela sociedade, de excepcional... Excepcional é a sua sensibilidade! Com 28 anos, mas uma idade mental de 15. Eu peço que divulguem para prestigiá-lo. Se uma pessoa assim acredita tanto no amor, porque as que se dizem normais se fazem de indiferentes?-Monday»


Extraordinária capacidade de acreditar, de amar, de viver o essencial da vida, Alexandre consegue colocar-nos à sua retaguarda, à retaguarda da sua força, fazer-nos sentir pequeninos, fazer-nos pensar no verdadeiro objectivo da nossa existência.