24 maio 2009

Desejei-me Tua

A noite escondeu-se faz tempo...a água e o Sol envergonhado parecem escutar cada palavra do meu corpo em direcção ao teu, parecem segurar a chave que trago no meu peito que une e funde as nossas almas em momentos intensos...momentos de cumplicidade...em que à tua voz me entrego nua e vestida...uma e outra vez...sentindo o latejar do meu corpo consoante o teu desejo e à tua ordem...percorro cada pedacinho teu...do teu cheiro...do teu sabor...sabor que gravo e guardo na minha língua...sabor e cheiro que me acompanha à medida do momento...e o tempo parece dormir como menino encantado...homem destemido, meigo....de sorriso maroto...olhar profundo que quase dispensa as palavras...que sim, e que não...bebe em mim e de mim tudo o desejas, prendes-me e fazes-me tão tua...enches-me de ti...ao teu toque...elevas-me para que possa roubar o Sol e a Lua, tantas quantas vezes o imaginei...mandas-me parar...continuar...desejo-me Tua...e em palavra girada como cata-vento, ao meu ouvido...dizes-me És Minha...deixas-me sorrir, fazes-me louca, fazes-me mulher presa nas cordas, solta dentro de ti...sinto-me simplesmente feliz...mesmo que o fado nos escreva, agora,letras diferentes e que a vida nos coloque impossiveis de alcançar...sou tua, senti-te meu...

Silêncio

Quando o silêncio é imperativo e conhecemos algo mais dentro de nós, não é longo o percurso necessário, nem demais o tempo de ausência, isto é a minha casa sim, aqui vejo-me e revejo-me ao espelho, ajeito o cabelo, espero a noite para conversar comigo mesma, e saber que por vezes nem tudo é o que queremos, como queremos...é para nós todos que vivemos...é por nós todos que escrevemos...o sonho existe para nós...e por muito que queira deixar de saber escrever, as palavras são donas de mim, e das minhas vontades, por muito que as tente prender num baú e esquecer-me delas , deixando-as à mercê do vento, é mais forte do que eu...preciso de escrever, para Ti, para mim, para todos nós...trata-se de evolução...

A imagem é um trabalho que amo de paixão de Luís Royo, a que chamou de evolução, penso que talvez seja isso, parar, ver por dentro, organizar e prosseguir...escrevo sentimentos e é deles que vivo...

22 maio 2009

Metamorfose

Em metamorfose, sinto que o meu tempo de palma da mão, de menina-mulher de sorriso maroto, que sonhava acordada, fazendo danças em balões de ar quente com as palavras... simplesmente...

...talvez uma morte interior me ajude a encontrar o caminho e a regressar uma nova mulher...sei lá, pode ser que sim...vamos ver...o hoje é hoje, o amanhã será amanhã...estou bem...vou dando noticias e seguindo-vos bem de pertinho...

beijinhos

Liliana

21 maio 2009


São fadas que me entornam na encosta do Teu leito...são pós e brilhos que esvoaçam de mãos dadas no meu corpo...serão momentos de delirio, talvez não...desejo de que Me envolvas em papel de seda, e Me mantenhas quente perto de Ti...são gnomos audazes, que segredam ao meu ouvido dizendo que sim...bruxinhas brincalhonas, sorrateiras dizendo porque não?...

São letras baralhadas em castelos de palavras imperfeitas...sussurros sem vergonha...que me destapam, oferecendo-me nua tão só para Ti...são mares não tocados...vértices lascados de piramide orgásmica...à Tua ordem...sinto-me explodir...fico calada...não percebi muito bem o que Disseste...o estremecer do corpo impediu-me de delinear e absorver as Tuas palavras...e sorrio envergonhada...menina-mulher marota...princesa ou gata borralheira, sei lá, tanto faz...

20 maio 2009

Querer



Despida de preconceitos...vestida de desejos e vontades...caminhar devagar pelo teu sorriso...ser tua, sentir-te meu no segundo em que te perdes no meu corpo...indicando-me o canto sem saída, para que o momento pareça bosque perdido em livro esquecido e fechado, relógio parado...beber de ti uma e outra vez...ser mulher...sentir-me preenchida, sentir-te em mim...será meu pecado, minha reza...minha penitência...sentir-te vaguear dentro de mim...descobrires-me aqui e ali...tocares-me...estar ali inteira, e segundo a segundo entrando em delirio...como estrela cadente...fugida e escondida em ti...toca-me...transformar conchas em pó de arroz...cobrires-me de ti...beija-me...entregar-me à noite e ao dia...fazendo da paisagem...aguarela salti-banco...guarda-me só para ti...