26 abril 2009

Eu Tento

Eu tento, mas não dá, os domingos parecem querer travar o meu pensamento, barreiras, muros, mãos e muitas conversas, almas dispersas num rio de ninguém, margens feitas de pedra, velozes, paradas também...as palavras escampam-me entre os dedos, como areias perdidas entre o amor e a dor de alguém...são feridas da alma...fechadas com agulha de cedro, e linhas de pensamento...

Eu tento, mas não dá...é Domingo...

25 abril 2009

Teatro de Segredos


Põe-se o Sol...ainda é cedo, as estrelas e a Lua convidam-nos para um bailado divinal...entregam à Luz e ao Vento o prazer de nos preparar, ao Mar cabe-lhe um papel imperial, unir em momento as nossas almas, transformá-las em areia molhada...fazer de nós o que quer,...coloca-nos deitados, cobre-nos de desejos e vontades...perante este Céu que nos observa incrédulo...e em que o Tempo se coloca à distância, transformando-nos em uma só alma...a sua alma...em vida!
Cravando no meu corpo o teu olhar, despindo-me apenas com um sorriso, abraças-me junto ao peito...presente e distante do nada, entregue num unico momento...num segundo, ao tudo!
É vida, e vida é teatro, e teatro é cumplicidade, é festa, é sublime bailado de segredos...

A imagem é uma das muitas obras de arte de Boris Vallejo!
Não encontraria imagem melhor para ilustrar uma peça de teatro em que a cumplicidade e a confiança tomam o papel principal!

24 abril 2009

Parabéns Capitão!


Parabéns a todos os capitães envolvidos na queda do regime ditaturial, vivido até 25 de Abril de 1974, por nós portugueses, pelas nossas tropas, pelas nossas colónias de forma vergonhosa até então! Perseguidos por uma policia politica, e por uma policia militar, o povo não tinha o direito à liberdade!

Um plano pensado ao pormenor, uma estruturação de forças militares, cabeças, lápis e papel, controlaram objectivamente e pacificamente pontos essenciais para que não fosse derramada pinga de sangue...pontos como o Cristo Rei, o Terreiro do Paço, o Aeroporto da Portela, entre tantos outros...tudo para nos permitir agir perante a nossa consciência e consoante a Lei, com um dos pontos falhado ao inicio da madrugada de 24 para 25 de Abril, a libertação dos presos politicos, a preocupação com represálias sobre estes, estava presente à mesma mesa e entre os mesmos homens, que como o Capitão Salgueiro Maia, se colocaram frente à mira dos carros de combate impedindo desta forma o ataque sobre os militares do movimento das forças armadas.

O trinufo chega quando o Sr. Professor Marcello Caetano é destituido do seu cargo ao poder!

Ouve-se Victória nas ruas...o povo grita, sem saber muito bem porquê...orgulho-me destes homens, destes pais, filhos, que lutaram para nos deixar uma herança chamada democracia, e garantido desta forma a liberdade de todos os cidadãos...lamento que hoje passados 35 anos, o povo ainda não tenha percebido que a liberdade de cada um termina onde começa a do outro, e que continue calado perante uma democracia infiel ao seu principio, à liberdade! Lamento que ainda hoje se deitem papeis no chão, que não haja igualdade social...que não se cumpra a Constituição da Republica Portuguesa!

Vontade

Hoje acordei com aquela vontade de morder os lençois, morder as almofadas, morder todo o teu corpo...entre o lavar os dentes e o vestir do casaco, dizes ao teu jeito, estou atrasado...serpenteando todo o meu corpo e a minha alma, entre trocas de sorrisos marotos, tocas-me aqui e ali, fazendo apenas num gesto com que o meu corpo se solte de mim...quase provocando aquela explosão de sentidos maravilhosa...mas é tarde dizes tu, e não podes chegar atrasado...beijas o meu pescoço, a minha boca, deixando-me ainda mais desejosa de te ter ali, naquele segundo, naquele delicioso instante, dentro de mim...faço aquele jeito de menina mimada...sorris dizendo...logo, agora é tarde...hmmmm, entre o quarto e o copo de leite, ao meu jeito de mulher, sorrio para ti, dizendo: vai eu fico bem acompanhada...rsrs, vais chegar atrasado...mas no meu pensamento estás sempre dentro de mim...

23 abril 2009

De Que Cor Serão Os Meus Lábios

Em momentos de ternura, constrois fendas na terra e seguras com ternura a Lua entre as tuas mãos...pintamo-la da cor de um beijo...misturando cor e desejo em palete carnal, brincamos com frascos gigantes de tintas de mil sabores, que zangadas perante as gargalhadas indiscretas, parecem querer beber-nos entre o azul e o branco, o vermelho e o lilás, transformando-nos em pequenos bonecos de corda, paralisando-nos, deixando-nos à mercê do tempo, podendo fazer de nós o que bem entender...coloca-nos em posições distantes ou bem agarrados, pinta-nos... o próprio tempo da cor de um raio de sol, entrega-nos o sabor do mar...enrola-nos em guardanapo de linho, tatuando nas fibras da hora, o seu mais saboroso instinto, deixando-nos em forma de linhas...perpetuando-nos assim juntos, presentes, ausentes, tanto lhe faz...percorrendo com aguarela o meu peito, desenhando era esquecida pela memória, risca meu ventre a tinta de prata, com fio de ouro traça o limite entre o tu e o eu...de que cor serão os meus lábios...sinto-os perto de ti, enrrolando em saliva o teu corpo, conseguindo sentir até o teu arrepio travesso, conseguindo fazer debotar toda essa tinta que nos cobre...entregando-me a ti, dizendo calada num gesto animal, vem...mistura-te, dá-me forma, pinta-me...rouba-me ao tempo, entrega-me à Lua, esconde-me dos loucos fantasmas que me consomem noite e dia...faz-me tua à tua maneira...