22 abril 2009

Baloiço ao Vento

No momento em que espero pela tua próxima palavra, em que me delicio com o tempo entre uma e outra, sorrio ao vento que faz a vida parecer um baloiço de vidro...um pedaçinho de alguma coisa tão só e tão tudo, nas suas cordas suspenso entre dois mundos, o meu e o teu...

Sinto-me leve, esperando entrares desse jeito, com esse efeito surpresa que conheces tão bem...sinto entre uma e outra conversa, o toque da tua alma na minha, juntas se entregam ao delirio e se transformam em algo maravilhoso, em algo que, nem eu, nem tu, queremos controlar...o calor e o frio...a imensidão das coisas, de um sorriso, de um olhar, de um imaginar perfeito de entrega, de deitar no teu peito e entre as tuas mãos, ficar simplesmente assim, como barro á espera de forma...como areia molhada...como corpo e corpo...como letra solta de um vem, tudo no espaço entre um sim e um não...nesse instante sou baloiço ao vento...sou tão tua, mesmo que de longe tanto faz...esse momento é tão meu...testemunho da noite e dia, do próximo minuto, de cada fio de cabelo meu...perdida e achada no teu corpo...sou só assim...menina-mulher...de sorriso maroto, perdida num mundo, que é meu, meu e teu, teu e de toda a gente, de toda a gente e de ninguém...

21 abril 2009

Apetece-me


Apetece-me gritar baixinho o teu nome...dar-lhe forma, colocar-lhe à minha maneira desengonçada, de menina-mulher, uma côr aqui e ali...apetece-me esperar para te ver crescer...

Surge em mim algo que não entendo, o toque do vento no meu rosto faz-me adivinhar que algo se confunde dentro e fora de mim, é uma busca insane em mim mesma, pelo outro lado do espelho, é tatuar em mim mesma pingos de orvalho que perante um momento envergonhado se transformam em fadas e soltam gritos de dor dentro de mim, resta-me simplesmente imaginar...imaginar a forma das tuas mãos, tentar saborear o teu beijo, tentar encontrar-te em mim mesma, dentro de mim mesma...e dessa forma sentir-me tão viva, que seja capaz de caminhar suspensa no ar e num toque sublime, tão leve e doce, beijar o teu rosto...dizer estou aqui...

20 abril 2009

Escrevo...


Acho que nunca escrevi porque escrevo, sobre o que escrevo,como escrevo e ilustro o que escrevo,e para quem escrevo...

Penso que a hora é essa....escrevo porque gosto, porque vivo o que escrevo, porque sinto primeiro e escrevo depois...

Escrevo sobre a vida, sobre a experiência, sobre o desconhecido, fantasio, vivo, delicio-me no meio das minhas palavras com ou sem sentido...

Como escrevo, escrevo consoante o que sinto, consoante o que me apetece escrever,baralho as palavras, não faço a pontuação adequada, faço pequenas confusões na minha e nas vossas cabeças, confundo a escrita e a poesia, a prosa, o pretérito perfeito com o mais que o perfeito, misturo pedaços do passado e do futuro ausente, desconhecido, e cometo insanes loucuras dando asas à imaginação, só ilustro o que escrevo depois, as imagens retiradas da internet adaptam-se ou não na perfeição, mas eu gosto que seja assim...existe uma excepção, em Contracapa, sou eu, como sou...

Escrevo para quem lê, vive, sente de uma ou de outra maneira...escrevo para quem comenta, para quem não comenta,escrevo para quem passa, para quem segue, para quem não segue, escrevo para quem como eu sabe que a porta deste nosso canto, está sempre encostada...escrevo para quem como eu repara no pormenor, ou não...escrevo o que me apetece...sobre a realidade ou não, desejos, loucos sentidos entrelaçados, escrevo rosas com cheiro a jasmim, noites claros, sois frios, silêncios ensurdecedores, para quem como eu anda de mãos dadas com as letras, escrevo realidade ou ficção, porque aí, desse lado, estão pessoas reais...pessoas que me descobrem nas entrelinhas...que espreitam a ver se me vêm em qualquer lua fugidia...escrevo para quem brinca e fala a sério, escrevo para mim, para ti e o mundo, esse mundo de que todos fazemos parte...não escrevo para esquecer...escrevo para todos vocês que me lêm e de uma forma ou de outra fazem, sim, parte da minha vida...escrevo vida e morte, sobre o espaço que une e separa as duas...tão simples quanto isso, escrevo...


Resposta...

Que resposta é esta, para a pergunta que não faço...que não me incomoda, que faz soltar-se em mim, o pior e o melhor, que observo com clareza no meio da escuridão...que grito é este que se solta de mim no dia que não voltou...as marcas na carne escondidas há muito pela regeneração da pele...porque não consegue a alma tal grandeza, regenerar-se em si mesma, sorrir porque sim, ou porque não...quantas serão as oportunidades que a vida nos dá...são caminhos feitos de silvas e escolhas mais tortas que direitas...são desafios do Diabo...são provações de algo tão simptuoso como quem se esconde para lá do espelho, para lá do que algum dia conseguiremos ver com a destreza de algo tão grande como nada dentro de nós...serão pequenas nódoas de vida espalhadas por nós em nós e nos outros, são nódoas que a vida não lava...são histórias de reis e rainhas, planicies e vales cheios de sentimento...barcos ancorados sem porto...são velozes os tempos que correm...são naufragos...são braços e pernas amontoados , seguindo-se porque sim...


Pedi ao tempo que me leve para longe de mim mesma e se esqueça de mim...me deixe por aí, num sitio onde a mentira não tenha lugar...

19 abril 2009


No voo do pássaro sinto a sua cor...no bater das suas asas alcanço sem demora o olhar do rosto que me segue e persegue...que a cada passo meu se esconde, se diverte enquanto o tento encontrar sem desviar o olhar nem um segundo...nada teme, nem que o veja assim...quem será, quererá a minha vida ou anseia a minha morte...sei que sim...

Demónio de ventre que me guarda...mão áspera, seca, rugosa na minha pele, doce beijo triste que quase chego a sentir, caricia no cabelo...respirar ofegante...não vejo...sinto apenas...e isso é tudo quanto me chega para saber que esteve sempre aqui...dentro e fora de mim, uma e outra, tantas quantas vezes quis...à distância de uma vontade, de um desejo, de um segundo, de um simples e belo voo de pássaro, com ou sem alma...sei lá...