18 abril 2009

Korpus



Korpus, línguas, mãos, pés, olhos,mentes, almas, vivos, mortos...somos mais do que simples corpos, somos mais do que massa, somos algo que não se vê, sente-se...somos pioneiros da livre palavra, do querer, poder dizer que sim ou que não...somos loucos para pedir mais, para dizer bem alto vem e não pares, somos conscientes e conhecedores de nós próprios, somos Korpus, somos água , sangue, somos mãos dadas , bocas coladas, corpos suados, somos sentidos trocados, somos distância, distância entre nós mesmos, entre o nosso e o vosso eu, somos gente, e se no final formos julgados como pecado tanto nos faz...

Palavras

Palavras que não serão nunca mais que isso, palavras ditas, escritas, palavras que ficam para sempre, palavras que se confundem no meu peito...que me escorrem em forma de lágrima, palavras que me aquecem nas noites brancas do meu desejo, palavras que me roubam o sorriso, que me tentam descartar a alma, sons do passo e descompasso, movimentos contrários à gravidade do tempo...risos e sorrisos que encontro por aí, palavras que me cercam de angustia, que me cravam o ser...o olhar, que me despem e me vestem, que me envolvem de ternura, palavras tatuadas em paredes de cal, corpos despidos de preconceito, pintadas no negro do dia, palavras cantadas ao rio, levadas pelo barulho do mar, encontradas no canto da areia, palavras de olhos, e rostos cansados, trocadas por tudo e por nada...serei eu mais do que palavra presa ou predadora?Conseguirei ser mas do que simples palavra muda, nua e crua de mim mesma, serei mais do que corda de palavra gasta pelo tempo...cansada...

17 abril 2009

Encontros

Encontro com o tempo, encontro no tempo, encontro comigo ao espelho e fora dele, encontro no mar da verdade...encontra na sede de um beijo, na ternura de um abraço, na ausência e presença assidua de um sorriso teu, encontro-me e encontro-te distante, longe de tudo e por tudo, virando as páginas da vida, encontro folhas de tinta, folhas de cinzas,folhas de pó...folhas de pó que me guiam no seguir da razão, que se transformam a cada gesto meu e do mundo...mundo que me lê, que me sente, que bebe de mim o que quero...e tudo o que quero é tão só uma folha de pó, trabalhada a carvão, escrita na sombra da vida e da morte...manchada pelo açucar das almas livres...almas livres minhas, tuas, tuas e de ninguém, de ninguém e de toda a gente...assim sou eu, hoje mais do que nunca...resto de folha de pó, alma livre...menina, mulher...menina mulher,mãe, rasgada, ontem pelo vento, abençoada hoje pelo brilho do teu sorriso...amo-te filha!

Hoje Não Consigo Escrever


Por vezes a realidade da vida, mostra-nos caminhos, caminhos uns mais curtos e mais confusos que outros...a vida do seu jeito beija-nos e esbofeteia-nos ao segundo...trás-nos aqui, entrega-nos à morte de uma ou de outra maneira, em gesto de desespero, será que a vida percebe que atingimos conhecimento interior tal, seja bom ou mau, que se livra de nós e num aperto de mão com a morte, um abraço, até quem sabe, nos passam de mão em mão...

Não entendo, hoje acordei assim, sem ser capaz de me abstrair de mim mesma, não consigo agora fechar os olhos e escrever...quem sabe mais tarde, espero que sim...talvez só precise de descansar mais um pouco...beijos a todos, até ao sorriso!

16 abril 2009

Lua De Papel


Numa noite fria, como tantas outras, conto a mim mesma, calada, de rosto gelado, que se a Lua fosse feita tão só de Papel, poderia ter mil cores, saber a tudo e a nada, saber a rosas com cheiro de jasmim, ter a textura do limão,ou até mesmo saber a canela..., e sorrio sozinha no infinito da minha mente, sonhando deitá-la no meu colo, envolvê-la em laço de cetim, ou até mesmo pedaço de saia de seda rasgado outrora num ou noutro momento mais ou menos bom...poderia adormecê-la, mantê-la quente, pintá-la, escrever sobre ela...poderia somente ficar assim enfeitiçada por um brilho ausente, distante, mas que de tão presente, se torna tão meu...poderia fazer da Lua uma nau, e brincar nos rios do meu corpo...beijá-la, escondê-la num bolso pequenino, juntá-la ao meu peito, e senti-la bem minha, bem na palma da minha mão...e se a Lua fosse feita de Papel, poderia mil coisas, mais outras tantas mil...tocá-la, fechar os olhos e num doce sorriso maroto envolvê-la em ternura...ensinar-lhe mil línguas, poderia ser só a Lua e eu...