
Numa noite fria, como tantas outras, conto a mim mesma, calada, de rosto gelado, que se a Lua fosse feita tão só de Papel, poderia ter mil cores, saber a tudo e a nada, saber a rosas com cheiro de jasmim, ter a textura do limão,ou até mesmo saber a canela..., e sorrio sozinha no infinito da minha mente, sonhando deitá-la no meu colo, envolvê-la em laço de cetim, ou até mesmo pedaço de saia de seda rasgado outrora num ou noutro momento mais ou menos bom...poderia adormecê-la, mantê-la quente, pintá-la, escrever sobre ela...poderia somente ficar assim enfeitiçada por um brilho ausente, distante, mas que de tão presente, se torna tão meu...poderia fazer da Lua uma nau, e brincar nos rios do meu corpo...beijá-la, escondê-la num bolso pequenino, juntá-la ao meu peito, e senti-la bem minha, bem na palma da minha mão...e se a Lua fosse feita de Papel, poderia mil coisas, mais outras tantas mil...tocá-la, fechar os olhos e num doce sorriso maroto envolvê-la em ternura...ensinar-lhe mil línguas, poderia ser só a Lua e eu...


