09 abril 2009

Me Permita a Mim...



Nas ondas que nos levam e nos trazem para junto de nós mesmos, sinto que estou sempre perto de ti...sinto que a cada passo, levamo-nos no peito um do outro, seguindo o nosso rasto de perto e de longe, presentes, ausentes, distantes, ligados por algo tão lindo como sopro de pássaro ao zumbido inquieto de nossas almas, somos folhas de papel amachucado por alguém, somos letras soltas de nós só...cantamos calados, brincamos de mão dada ao luar de dias e noites, somos encanto de fadas, brilhos de beijos molhados, somos assim, simplesmente assim um do outro, um de cada um, de toda a gente, e sempre mesmo de ninguém...somos palavra sofrida, sorrisos marotos...somos mais que tudo o que queremos...capazes de mudar a direcção ao vento, espantalhos de medo, somos cálice de vinho espalhado...somos simplesmente assim...o que somos...sétima onda...


Permiti-me escrever para ti com carinho


Com um sorriso Arthur


08 abril 2009

Brilho de Um Beijo

Em cada voo de um beijo sinto o calor do meu peito ensurdeceder o silêncio da minha voz, ao gritar por mim, dentro de água...perco-me no meu papel de parede e encontro-me apagada na réstia de fogueira acesa ao luar, escondo-me do tempo, e lentamente sinto-me erguer quase que remotamente na verdade de um abraço, na leveza da minha maneira de ser...sinto-me renascer das cinzas, nua, cravado na minha pele, vejo o ontem e o anteontem, nas minhas unhas o brilho da chuva, e a cada cambalear sinto escorrer do meu cabelo, o perfume de outrora contagiando a minha alma...nos meus olhos o hoje, porque do amanhã nada sei...não, não me contes, não preciso de saber tanto quanto tu, preciso só de acordar e ser capaz de fazer-me sorrir...agarrada por raíz de eucalipto, venero a minha morte, aproveitando o melhor da vida, como se cada amanhecer fosse nascer de novo, aplicando nesse renascer o antes absorvido, criando um atalho em busca pela perfeição do respeito ao próximo, como a mim mesma...

07 abril 2009

Não Vás Com Vontade De Ficar

No meu peito o teu corpo, nas minhas mãos o teu olhar...prendes-me a ti e prendes-te à vida... num sem fim de gestos e do teu modo, fazes-me tua...com os teus dedos segues cada movimento meu...e de forma alucinante entregas-me ao céu , e com ternura cobres-me de mimo, e nesse momento, mesmo que só por um momento, sinto-te tão meu...o calor do teu corpo denuncia o cansaço, e digo-te sem que possas ouvir, não vás com vontade de ficar...

06 abril 2009

Peripércias De Menina


Quando junto da tua campa, em dia de chuva, e perante a resposta negativa da medicina face ao meu problema, e de forma fria e cruel, ouço(oiço, rsrs, tive uma branca) de uma boca, que já nem lhe recordo o rosto: Esqueça Liliana, não vai poder ter filhos, o septo imcompleto no seu utero, e a cirurgia danificariam o utero, impedindo-a de gerar o que quer que seja...palavras gravadas para sempre...mas voltemos ao incicio...Quando junto da tua campa, em dia de chuva,finais de Janeiro, enquanto trocava a vela que te acendo António, meu amigo, com meus pés cobertos de lama, e lágrimas escorriam de minha alma, pedindo-te a benção de um presente do mundo, um filho, que se chamaria Maria do Mar se fosse menina, estava longe de imaginar a alegria constante desde o doce e envergonhado acordar até ao dificil deitar...cada dia é de uma aprendizagem voraz, de uma loucura soberba, de felicidade...
Uma peripércia tão linda, um sorriso maravilhoso, uma curiosidade caracteristica do auge dos seus 29 meses...hiper-mercado, as compras correm pelo melhor, já na fila para pagar, eis que uma coisa deliciosamente engraçada se avista, e pede com o seu jeito, acusando cansaço, e até as prateleiras se assustam, mãe isso, isso, nina quer isso...era só uma escova de dentes...que problema me traria uma escova de dentes? Aparentemente nenhum, pego na escova, até já está na altura de trocar, e passo-lha para a mão...mas não foi só para a mão, foi para os olhos, para o espirito, sei lá, e eis que a escova tinha vizinhas, de mil e uma cores e tantos feitios que até a mim me confundiam, rindo-se de mim...e eu pensei..não, vem aí uma festa...e a Maria pede uma e outra, e mais outra, e eu zonza, acalmo-me e penso, não te vais atirar para o chão e fazer birra por uma escova de dentes, e entrego-lhe todas, todas dentro do mesmo preço, e digo-lhe docemente, só podes levar uma, uma...ela esteve sem exagero, uns quinze minutos, mas consegui, escolheu uma, abraçou-me chamando-me linda, dando-me um intenso beijo, e dizendo bigada mãe, és a maior, linda...
Hoje longe da tua campa...mas perto do teu coração, digo beijando-te a alma, obrigada...

05 abril 2009

Noites Brancas

Como em qualquer noite mais escura, a sua brancura chega levemente, e de forma adorada estende-se sobre mim...deixando-me nua à sua mercê...entregue aos espelhos crus de minha alma, fazendo caricias sobre meus cabelos, e colocando na minha mente, sabores que nunca ninguém viu...perfumes de raras essências, perdidas algures entre pedras e flores do meu jardim...e sou eu assim ,menina-mulher...adormecida...